sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Arte pela arte, DRM, copyright, doações

Confesso que esta semana foi bastante "morta" para mim, alguns eventos interessantes que poderiam render um texto, mas ainda muito crus em minha mente. Preciso assá-los um pouco mais antes de produzir algo a respeito.

Algo que me fez pensar um pouco foi um blog que conheci. Chama-se "Nerdson não vai à escola" (www.nerdson.com). Descobri por indicação do novo amigo Hugo Petelin! Muito grato pela indicação, devo-lhe meu testículo direito por gratidão!

Fucei muito o blog, e já estou em sua VIGÉSIMA SEXTA página! Gostando demais dos assuntos, várias indicações de livros, discussões interessantes e o melhor: muita piada nerd / geek inteligentíssima e muito bem bolada!

Dentre os posts, vi que o Karlisson Bezerra, autor do blog, começou a aceitar doações dos usuários. Nesse post, ele questionou o fato de que muitos usuários indagavam quanto à cobrança por conteúdo, seja como copyright ou algum tipo de licença, que cobrasse alguma mensalidade ou algo do gênero.

Esta já é uma discussão que existe algum tempo dentro de mim. Como sou brasileiro, herdei de minha cultura-mãe a característica do "Jeitinho brasileiro". É justamente ele que irei criticar diretamente, mas também oferecer uma proposta e mostrar algo um pouco diferente.

Sempre procuramos pelo alternativo, por um jeito paralelo de conseguir algo, uma forma mais barata, burlar algo. É fato que, por exemplo, para importação de alguns produtos, a carga tributária é tão gigante que é inaceitável, e não vou culpá-los por isto. Sei deste problema. Mas a questão é que isto é geral, um problema que está envolvido em tudo!

Logo do Grooveshark
Durante esta semana, tenho utilizado muito o Grooveshark para escutar músicas. É um site incrível, onde você pode subir suas músicas e escutar músicas livremente, dos outros usuários. Não é permitido download, mas é possível escutar via streaming. E o serviço é gratuito, como muita coisa por aí.

A diferença é que há um serviço "VIP" no Grooveshark. Há diversos serviços por aí na internet que funcionam desta forma. Este esquema é chamado de "Micro transações".

Há alguns dias mesmo, eu fui procurar o custo para comprar uma licença para o WinRar. Mesmo para quem não conhece muito de computação, com certeza já usou um arquivo compactado. O WinRar é um progarma EXCELENTE, possui ótimas opções e é muito bem programado. Não entrarei em detalhes, mas posso garantir! Entretanto, o preço era de modestos 30 dólares para uma licença. Desisti.

Ainda assim, eu estou começando a gostar demais desta moda de micro transações. É uma forma interessante de incentivar um trabalho. Manter um site no ar não é caro, mas possui custo. Varia de 30 a alguns milhares de reais, dependendo do porte. Isto não é fácil de manter, e para se manterem, o apelo normalmente é para os milhões de banners de propaganda. Não é raro entrar em um site e ver alguns pares de peitos e quem sabe até alguns pênis pulando na sua cara (NEM VEM OLHAR COM ESSA CARA DE "HUM, QUAL SITE VC ANDA VISITANDO?!?!?!?!").

Agora é o ponto onde vem a crítica ao jeitinho brasileiro. Devido à forma como nossa cultura (des)valoriza o trabalho de outros, muitos projetos com este tipo de iniciativa vão para a vala. Algo que eu acompanho muito é quanto a jogos. "Ah, se tem mensalidade, não vou jogar. Tem pirata?".



Fico triste por ver isto. Qual o problema em pagar por algo que é bom? Por que tanto desrespeito com o trabalho de outros? Uma coisa é lutar contra os altos impostos, realizar alguns pequenos contrabandos aqui e acolá pois os impostos que incidem em nós são estúpidos (e sim, este é um grande vai tomar no cu à tarifa de importação), mas há um lado muito errado e desrespeitoso em nossa postura.

O blog Nerdson é todo licenciado pela Creative Commons, sob a licença BY, que permite utilizar, modificar e redistribuir o trabalho, desde que sejam mantidos os créditos do criador original. É uma demonstração incrível de respeito pelo próprio trabalho.

Fica então o apelo: se você realizar algum tipo de trabalho que possa aceitar contribuições, divulgue-o e tenha isso em mente sempre que vir algum tipo de trabalho interessante. Vou parafrasear o metrô: "O metrô é feito de milhares de pessoas, milhares de gestos. Faça o seu melhor e ajude a construir o metrô que você quer". Eu sei que não é bem assim, mas que seja, a essência está aí.

Fonte das imagens:
Uncle Sam wants you to pay taxes: http://www.michaelshowalter.net/2010/07/11/taxes/uncle-sam-taxes/
Zé Carioca: http://g1.globo.com/platb/instanteposterior/2007/09/25/o-jeitinho-brasileiro/

Um comentário:

  1. Eu discordo radicalmente que valorizar o trabalho alheio seja somente via pagamentos, mas sei também que não foi só isso que você quis dizer. Até porque, se eu entendi bem, a licença Creative Commons do blog do Nerdson que você citou exige somente a creditação do autor do conteúdo, e não o pagamento por reprodução do mesmo.

    E essa é uma forma de valorizar o trabalho alheio, e uma forma bonita e correta, na minha opinião. Diferente da maioria das formas "pagas". Eu sou da opinião de que do dinheiro se presume a imundície. É como Midas que, ao invés de transformar em ouro tudo que toca, suja tudo pelo que passa.

    A internet surgiu como provavelmente o primeiro universo realmente livre na história da humanidade, e existe um movimento do empresariado para acabar com isso. Querem transformar a internet, tal como já fizeram com o mundo real, em um lugar em que tudo tem dono privado e portanto, tudo tem que ser pago. Estão usando a tática da dicotomia free/premium por enquanto, mas isso também é pernicioso.

    Isso sem falar na polêmica da propriedade intelectual. Eu até concordo em haver cobranças por serviços prestados, mas cobrar pelo uso de um produto cultural (e jogo também o é) é dizer que a cultura não é de todos e nem para todos, só para os que podem pagar. Isso é abominável.

    E não aceito desculpas de que "fulano tem de sobreviver". Dá pra sobreviver de muitas maneiras, inclusive menos abomináveis. E também não adianta vir com papinho de que "desse jeito, a internet não se desenvolve", porque a realidade já mostra que sem custo nenhum, muita gente faz muita coisa legal, só pelo gosto de inovar.

    Assim, o "jeitinho brasileiro" pode ser capaz de, ironicamente, minar os esforços de capitalizar a internet e transformá-la em uma cadeia de propriedade privada. Nesse sentido, quem diria, nós estaríamos ajudando a preservar algo de bom neste mundo. E, quem sabe, salvando o modelo para uma revolução no próprio mundo real, no futuro. Mas aí já divago utopicamente...

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